Discutir a beleza em imperialismo

A dominação imperialista, o exercício do controlo por parte de um punhado de países sobre as forças produtivas dos países dominados, ou seja, sobre as suas economias, condiciona toda a cultura — suporta uma superstrutura própria, um certo conjunto de ideias. Estas ideias são, naturalmente, as ideias mais favoráveis à continuação do imperialismo. Assim, os povos que foram colonizados e se vêem hoje neocolonizados são constantemente bombardeados com torrentes de produtos culturais dos países dominantes; música, cinema, televisão, literatura… Estes produtos, repletos de violência simbólica, disseminam os juízos estéticos dos países dominantes, apresentando a brancura como sinónimo de beleza, de forma tal que até quando surge uma produção paralela e massificada nos países dominados — os casos da Índia (Bollywood), Nigéria (Nollywood) e, o mais impressionante, o Brasil (com a Rede Globo) destacam-se —, esta é em grande medida uma imitação reles da cultura dos países dominantes e reproduz fielmente os seus valores.

Os efeitos concretos desta componente cultural do imperialismo são imensos. De facto, em países tão variados como Mali, Nigéria, Senegal, África do Sul, Togo, Índia, China, Malásia, Filipinas, Coreia do Sul, Brasil e as chamadas “minorias” dos Estados Unidos da América é comum a utilização de cremes de branqueamento da pele, especialmente entre as mulheres. Ora, hábitos como este não só constituem uma ameaça para a saúde como, julgamos ser evidente, revelam uma regularidade social preocupante. E muitos outros exemplos poderiam ser dados.

Parece-nos urgente, assim sendo, a discussão deste problema por parte daqueles e daquelas que o sofrem, e não poderíamos deixar de apoiar efusivamente a iniciativa do Núcleo de Estudos Africanos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que organizou uma tertúlia, moderada pela jornalista Carla Fernandes (a mentora do projecto Rádio AfroLis), precisamente sobre o padrão de beleza e a representação da mulher negra nos media.

Aqui reproduzimos o cartaz e apelamos à participação de todos os negros e negras, já na próxima quarta-feira!

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Tertúlia

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