Consciência Negra no Brasil: a luta do nosso povo! *

O Dia da Consciência Negra

 

O dia 20 de Novembro de 1695 é o dia da morte de Zumbi dos Palmares, o mais importante líder negro do Quilombo de Palmares. O Quilombo dos Palmares (localizado na atual região de União dos Palmares, Alagoas) era uma comunidade autossustentável, um território formado por escravos negros e indígenas que haviam escapado das fazendas, prisões e senzalas brasileiras. Ocupava uma área próxima ao tamanho de Portugal e sua população alcançou o marco de 50 mil pessoas em 1670.

Zumbi dos Palmares morreu aos 40 anos de idade, e tornou-se o márti da abolição da escravatura brasileira. Em 1995, após anos de reivindicação do Movimento Negro, a data da morte de Zumbi foi adotada como o dia da Consciência Negra. O dia da Consciência Negra deve ser uma data que represente a luta do povo negro e ninguém melhor que Zumbi para expressar essa luta.

Zumbi é o símbolo maior dessa luta porque nunca aceitou fazer acordos com os brancos latifundiários, ele sempre defendeu a libertação de todos os escravos, ao contrário de Ganga Zumba, outro importante líder negro do Quilombo de Palmares, que tentou fazer um acordo com os escravocratas brancos.

Por volta de 1678, o governador da Capitania de Pernambuco, cansado do longo conflito com o Quilombo de Palmares, se aproximou do líder de Palmares, Ganga Zumba, com uma oferta de paz. Foi oferecida a liberdade para todos os escravos fugidos se o quilombo se submetesse à autoridade da Coroa Portuguesa e não aceitasse nenhum novo escravo fugido; a proposta foi aceita por Ganga Zumba, mas Zumbi, na época general do exército do quilombo de Palmares, rejeitou a proposta do governador e tornou-se o novo líder do Quilombo de Palmares por convencer os quilombolas a continuar a luta pela libertação de todos os escravos.

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*Luciano Barboza (2013, Novembro). “Consciência Negra no Brasil: a luta do nosso povo!” Disponível em: http://www.renataodoquilombo.com/site/index.php/24-novembro-mes-da-consciencia-negra

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Mamã negra (Canto de esperança), um poema de Viriato da Cruz

 

Mamã Negra

(À memória do poeta haitiano Jacques Roumain)

 

Tua presença, minha Mãe – drama vivo duma Raça
drama de carne e sangue
que a Vida escreveu com a pena de séculos.

 

Pela tua voz

 

Vozes vindas dos canaviais dos arrozais dos cafezais dos
[seringais dos algodoais…
Vozes das plantações da Virgínia
dos campos das Carolinas
Alabama
Cuba
Brasil…
Vozes dos engenhos dos banguês das tongas
[dos eitos das pampas das usinas
Vozes do Harlem District South
vozes das sanzalas
Vozes gemendo blues, subindo do Mississipi,
[ecoando dos vagões.
Vozes chorando na voz de Carrothers:
Lord God, what will have we done
Vozes de toda a América. Vozes de toda a África.
Vozes de todas as vozes, na voz altiva da Langston
na bela voz de Guillén..

 

Pelo teu dorso
Rebrilhantes dorsos aos sóis mais fortes do mundo
Rebrilhantes dorsos, fecundando com sangue, com suor
[amaciando as mais ricas terras do mundo
Rebrilhantes dorsos (ai a cor desses dorsos…)
Rebrilhantes dorsos torcidos no tronco, pendentes da forca
[caídos por Lynch.
Rebrilhantes dorsos (ah, como brilham esses dorsos),
ressuscitados com Zumbi, em Toussaint alevantados.
Rebrilhantes dorsos…
brilhem, brilhem, batedores de jazz
rebentem, rebentem, grilhetas da Alma
evade-te, ó Alma, nas asas da Música!
…do brilho do Sol, do Sol fecundo
imortal
e belo…

 

Pelo teu regaço, minha Mãe

 

Outras gentes embaladas
à voz da ternura ninadas
do teu leite alimentadas
de bondade e poesia
de música ritmo e graça…
santos poetas e sábios…
Outras gentes… não teus filhos,

 

que estes nascendo alimárias
semoventes, coisas várias
mais são filhos da desgraça
a enxada é o seu brinquedo
trabalho escravo – folguedo…

 

Pelos teus olhos, minha Mãe
Vejo oceanos de dor
claridades de sol posto, paisagens
roxas paisagens
dramas de Cam e Jafé…
Mas vejo também (oh, se vejo…)
mas vejo também que a luz roubada aos teus
[olhos, ora esplende
demoniacamente tentadora – como a Certeza…
cintilantemente firme – como a Esperança…
em nós outros teus filhos,
gerando, formando, anunciando
– o dia da humanidade
O Dia da Humanidade…