Um dia no Parque da Paz (?)

No outro dia havia o meet que afinal não teve lugar. No dia de ontem soube-se que os jovens que – segundo alguns – mereciam uma pena pesada, afinal terão a pena suspensa por um meet que ainda não se percebeu sequer se existiu nem o contexto em que foram detidos. Como estes há muitos dias e sítios pelo mundo, de Ferguson a Lisboa passando por Almada. De alvejamentos, acusações arbitrárias e humilhações.

No outro dia, mais precisamente 26 de Agosto, teve lugar mais um daqueles nadas – mais uma vez segundo alguns – que ameaçam se tornar em algo mais. Já conhecemos a história do “não somos a Grécia” e do mito luso-tropicalista do Portugal não-racista, por isso deixemos o testemunho falar por si. Este relato foi enviado para o nosso blog por alguém que assistiu a um meet policial no Parque da Paz:

Ao passar junto à entrada sul do Parque da Paz em Almada, vi uma carrinha da PSP, com três agentes no interior, a entrar no parque, com o caminho a ser aberto por um dos carrinhos de jardinagem do parque. A carrinha seguiu até junto do muro de limite do parque um pouco mais a sul, onde os agentes saíram junto a um grupo de cerca de uma dezena de rapazes negros. Vários não tinham tshirts e estavam claramente a arrefecer e descansar sentados no muro depois de praticar desporto.

Estava ausente qualquer indicação de ter sido cometido qualquer crime, o que não impediu os “agentes da autoridade” de importunarem os jovens, certamente chamados ao local por algum leitor ávido do Correio da Manhã, que viu mais do que três jovens negros juntos e sentiu o terror de classe média de ser “arrastado”. Noção tanto mais rídicula se tivermos em conta que estamos no Parque da Paz, onde a coisa mais valiosa que há para roubar são pinhões e os calções encharcados em suor dos corredores, dificilmente o tipo de tesouros que justifiquem o esforço.

Os rapazes foram interrogados, alguns sozinhos no interior da carrinha. Um deles levou uma marretada no nariz porque se riu de uma brincadeira de um amigo na presença dos xôr agentes que, como se sabe, têm fraca auto-estima e não suportam que se riam na sua presença.10 minutos depois de chegar, a polícia foi-se embora de mãos vazias, em mais um episódio de rídiculo que desafia a descrição.

 

Consta que não compareceu a comunicação social e não foi publicada  uma única nota de rodapé no Correio da Manhã. Para uns são dias; para outros, todos os dias.

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