Do arrastão ao meet

Uma mentira contada muitas vezes não se converte em facto. E se o arrastão virar um meet não significa que ambos correspondam à narrativa dominante. Num país onde no espaço de uns poucos meses dois homens assassinaram cada um uma mulher, fugiram à polícia e foram aplaudidos à saída do tribunal fica difícil perceber tamanha indignação com o não- acontecimento ocorrido no Centro Vasco da Gama. De invasão e furtos cometidos por centenas de jovens a mero incidente isolado entre dois rapazes e duas raparigas bastou o bom-senso do Director do centro comercial em questão. A mesma razoabilidade que levou depois o Comando da Região Metropolitana de Lisboa a desmentir um primeiro comunicado seu em relação aos 500 jovens que afinal eram 40 ou 50, quem sabe 3 ou 4 a causar distúrbios, na praia de Carcavelos. No meio de toda a trapalhada está a imprensa que não cumpre qualquer regra de deontologia – um palavrão para qualquer jornalista de sarjeta.

E se em 2005 os eventos levaram ao alarme geral e a manifestações xenófobas e racistas por parte do PNR, andemos então atentos nos próximos dias. Aproveitem para ler o jornal todo e não apenas a manchete ou o cabeçalho. Talvez devêssemos andar mais vigilantes no que concerne ao arrastão orçamental que se aproxima e aos meets promovidos para vender o Novo Banco e deixar os velhos prejuízos na conta dos mesmos de sempre.

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