Estudar Marx e Engels

Cento e noventa e seis anos depois do nascimento de Karl Marx, a 5 de Maio de 1818, vivemos dias em que a sua teoria revolucionária se revela tão actual como no período em que surgiu. Precisamente por isso, a obra de Marx e Engels continua a ser ferozmente atacada pelos capitalistas e por todos os seus lacaios, que, muito argutamente, vêem nela a mais odiosa doutrina e a maior ameaça à manutenção do seu poder.

Frantz Fanon disse-o com o sarcasmo que tão bem manejava:

Quando um preto fala de Marx, a primeira reacção é a seguinte: “Educaram-vos e agora voltais-vos contra os vossos benfeitores. Ingratos! Decididamente, nada se pode esperar de vós.” E depois há também o revelador argumento do latifundiário em África: o nosso inimigo é o professor.[1]

De facto, foi armada com a teoria revolucionária marxista que a classe trabalhadora mundial conseguiu disferir derrotas colossais aos exploradores, primeiramente com a Revolução Russa, em 1917, e depois com as restantes revoluções no Terceiro Mundo, desde a Revolução Chinesa e da Revolução Cubana às Revoluções Africanas, ao longo de quase todo o séc. XX. Até a burguesia estado-unidense se viu obrigada a enfrentar, dentro das suas fronteiras, organizações revolucionárias marxistas como a Black Panther Party (Partido das Panteras Negras).

Apesar disso, através de um número absurdo de guerras (entre as quais duas foram mundiais), da mais facínora repressão e, em último caso, de algumas concessões tácticas aos trabalhadores dos países imperialistas, o capitalismo conseguiu sobreviver à “ameaça vermelha”, manter os trabalhadores desunidos, alienados e obedientes ao capital.

No nosso século, contudo, a expressão que Rosa Luxemburgo popularizou torna-se mais premente do que nunca. Hoje, temos apenas duas hipóteses: “Socialismo ou Barbárie!”

A acumulação de capital já só é possível com a guerra constante, mantida nos países periféricos tanto quanto possível, mas que ameaça cada vez mais os países capitalistas centrais, ou seja, a Europa e os EUA, como podemos ver pela nascente guerra civil na Ucrânia.

O próprio ambiente começa a revelar-se incapaz de suportar o apetite destrutivo e infinito do capitalismo. Os mares enchem-se de plástico que ameaça exterminar a vida marinha. A atmosfera enche-se de gases tóxicos e a camada de ozono degrada-se, expondo fauna e flora às agressões do sol. A desertificação alastra-se enquanto florestas são consumidas. Espécies animais são extintas para sempre. E, como se tudo isto não bastasse, os Estados burgueses que chacinam milhões de trabalhadores por todo o mundo detêm hoje armamento suficiente para extinguir a vida humana na Terra.

A luta pelo socialismo deixou de ser a luta por um amanhã melhor. Trata-se agora da luta por um amanhã. Mas, nesta luta, a compreensão científica da realidade, como já o demonstrou a História, é crucial para a vitória da classe trabalhadora, e é por isso que continuamos a estudar a obra de Marx e Engels, pais do socialismo científico.

Assim, achamos indispensável convocar aqueles que pretendem lutar contra todas as formas de dominação para o IIº Congresso Internacional Marx em Maio, que contará com a participação de marxistas de todo o mundo.

O congresso decorrerá nos dias 8, 9 e 10 deste mês, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, anfiteatro I.

Aqui está o programa.

II Congresso Marx em Maio

 

_____________________________________________________

[1] Frantz Fanon, “The Negro and Language”, in Black Skin, White Masks. (London: Pluto Press, 2008), 23.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s