O racismo é estrutural: apresentação da Carta de Lampedusa

Considero a luta contra o racismo numa perspectiva idealista um dos maiores obstáculos à construção de uma correlação de forças capaz de derrubar a opressão. Considerar as relações de dominação que condicionam vidas de milhões de pessoas em todo o mundo como mera ignorância ou uma questão de mero medo do Outro é uma posição de tal modo quixotesca que, no final do dia, apenas podemos esperar uma vitória sobre moinhos de vento. Neste sentido, tornar uma banana arremessada contra um futebolista num símbolo mundial pela igualdade racial apenas confunde e distrai os mais ingénuos do que realmente motiva negros a serem espoliados da sua dignidade. É a ponta superestrutural do icebergue; um mero reflexo de como o capitalismo converteu escravos em trabalhadores super e sobre-explorados devido à sua cor de pele.

Não deixa de ser irónico observar imagens de responsáveis políticos como Martin Schulz, candidato da bancada socialista europeia à presidência da Comissão Europeia, segurando uma banana. Talvez a fotografia perfeita para representar o papel de muitos eurodeputados no momento de travar a política repressiva da União Europeia sobre os imigrantes. Dizer não ao racismo não se compadece com a anuência perante a criação do estatuto de humanos ilegais, a existência de uma agência denominada Frontex financiada para impedir e perseguir imigrantes no sul e no leste da Europa, ou a permanência de centros de detenção desumanos para quem simplesmente pretende exercer o seu direito à mobilidade. É preciso dizer chega a uma política que tem trazido a morte de milhares de pessoas em pontos de passagem como Ceuta, Melilla e Lampedusa.

Foi com esta missão que 400 delegados de vários países se reuniram na ilha de Lampedusa entre 31 de Janeiro e 2 de Fevereiro: denunciar a política anti-imigratória e encontrar um paradigma alternativo assente na igualdade humana, independentemente de origens e fronteiras. Este esforço culminou na elaboração da Carta de Lampedusa que hoje (dia 2 de Maio) será apresentada na Casa da Achada como caderno n.º 5 pelo SOS Racismo. Será também uma oportunidade para ler as reeditadas Carta Mundial de Migrantes e Carta dos Residentes na Europa.

O cartaz:

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