Pela unidade de classe e contra o racismo no trabalho

As vestes do dia do trabalhador resplandecem a rubra coragem dos trabalhadores e trabalhadoras que se levantaram em 1886 na cidade de Chicago. O socialismo, o sangue e a humanidade completam o retrato da dignidade que contou mártires pela sua causa. A elementar jornada de oito horas não se deveu ao beneplácito da caneta patronal ou da virtude do governante; foi fruto da unidade do proletariado. Da Europa ao Bangladesh,  conquanto as condições objectivas se modifiquem no tempo e no plano geográfico, permanece o denominador comum: luta de classes. Constante do desenvolvimento materialista dialéctico e histórico.

No entanto, os mais incautos não saberão valorizar a importância da unidade de classe num momento de crise do sistema capitalista. Todos os motivos são bons motivos para a burguesia dividir o que une proletariado, seja pela divisão em categorias profissionais, entre homens e mulheres ou brancos e negros. O perigo do Outro assume especial acutilância no pestilento discurso conservador que, fazendo uso da velha máxima divide et impera, procura lucrar com a contradição. No caso da imigração e do racismo, esta apresenta-se em todo o esplendor. A mesma burguesia internacional que faz uso da cartilha neo-liberal para transferir capital e investi-lo com benefícios fiscais e sobre-exploração de trabalhadores africanos é a mesma que lhes nega o direito à mobilidade na procura de um salário que proporcione pelo menos a reprodução social do trabalho, quem sabe até a aquisição de bens produzidos por si a troco da quase escravidão – ou mesmo escravidão – para gáudio dos que lucram com a avultada mais-valia. Para esta trupe de chacais, a imigração é uma oportunidade e quem consegue chegar clandestinamente a terra sempre pode sujeitar-se à precariedade e ao trabalho fora do circuito legal. O resultado é a descida da média salarial e o dedo apontado ao trabalhador negro pelo trabalhador autóctone. Julgo, por isso, ser importante referir a exploração sobre o proletariado negro, com ainda especial atenção à mulher negra que ainda vive o flagelo da desigualdade laboral entre homens e mulheres.

Neste sentido, a iniciativa da Plataforma Gueto é premente como contributo para consciencializar os trabalhadores e as trabalhadoras portugueses que a classe os une e o capitalismo separa-os em raças. Por conseguinte, apresentar a especificidade de negros e negras no dia 1 de Maio não é enfraquecer mas sim proporcionar um salto qualitativo na solidariedade entre a classe trabalhadora contra quem realmente rouba trabalho e salários.

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